A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) realizou, nesta quinta-feira (12), uma homenagem aos servidores do Hemopi (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí) e aos cerca de 500 mil doadores de sangue do estado. Sessão solene proposta pelo deputado Dr. Gil Carlos (PT) reconheceu os 42 anos de trabalho da instituição que se destaca nacionalmente sem esquecer de atender o interior do estado.
A gerente de captação de doadores do Hemopi, Veronésia Rosal, reforçou que o trabalho do Hemocentro é reconhecido em todo o país. São mais de 45 mil bolsas de sangue coletadas todos os anos com um controle rígido que garante as principais certificações da área. O banco de doadores fenotipados do Piauí tem conseguido atender não apenas aos piauienses, mas já foi acionado por estados como Pernambuco, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro no caso de pacientes com sangues considerados raros.
Mas a gerente deu o seu destaque principal para os doadores. “O convencimento sobre a importância da doação é o ponto de partida de todo o sistema, garantindo que não falte sangue para atender as demandas assistenciais. Essa moção honra sobretudo aos profissionais do Hemopi, aos gestores, aos técnicos, aos administradores e também aos doadores, que são heróis anônimos que transformam o um gesto em esperança concreta”, agradeceu Veronésia Rosal.
Em seu discurso, Dr. Gil Carlos também demonstrou sua admiração às pessoas que doam sangue: “O que leva uma pessoa a voluntariamente doar uma parte de si para um desconhecido? Quando se trata de um paciente que precisa de hemotransfusão com o qual o ator tem vinculação parental, isso é facilmente compreendido. É um ato de proteção à vida de alguém com o qual temos uma relação genética, familiar e sentimental, mas a doação para o desconhecido é um ato de humanidade”.
O deputado lembrou que a sociedade brasileira adota uma postura ética diante da doação de órgãos, não aceitando que eles sejam objeto de comércio. “Esse princípio e essa determinação legal, já está incorporada, inclusive, ao nosso conceito moral bioético. Essa é uma conquista dos brasileiros, que no tempo de hoje, somos carentes da ética, do respeito e dos bons costumes”, refletiu Dr. Gil Carlos.
Ele acrescentou que essa mentalidade, em conjunto com um controle sanitário rígido, permitiu que o país enfrentasse os problemas derivados do avanço do HIV em um passado recente. “A doença começou a se espalhar, e foi uma das provas, uma das experiências mais exitosas da vigilância sanitária, do sistema de saúde e do banco de sangue que hoje tem um dos sistemas mais rigorosos de provas laboratoriais, testes sorológicos para oferecer sangue de maneira segura, com qualidade e segurança”, lembrou o parlamentar.
Para destacar o papel dos doadores, fez parte da Mesa da solenidade, junto a autoridades e gestores, o sr. Raimundo Nonato, conhecido no Hemopi como Seu Pequeno. Ele completou 100 doações de sangue, sendo um dos recordistas do estado, mas por ter atingido a idade limite para doar, que hoje é de 69 anos, cumpriu seu papel como doador.
Por Nícolas Barbosa – Edição: Katya D’Angelles